Aquecimento global: até que ponto a pecuária é responsável?

Aquecimento global: até que ponto a pecuária é responsável?

26/01/2022 Uncategorized 0

A questão climática tem estado nas manchetes ultimamente. Este artigo foi escrito na semana em que se iniciava em Glasgow, na Escócia, a Conferência do Clima, com a participação de diversos líderes mundiais anunciando a intenção de eliminar completamente as emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), até 2050. 

indústria mundial de laticínios está nesse contexto e também está nas manchetes e é comum ver as pessoas apontando o dedo da culpa para a indústria de carne e leite, em que a emissão de metano de touros e vacas, que é considerado gás de efeito estufa “violento”, se junta a outros gases de efeito estufa (principalmente CO2), acumulando-se na atmosfera e aquecendo o globo terrestre.

Há ampla evidência de que a terra está em processo de aquecimento. Estamos expostos na mídia a sinais eventos climáticos extremos crescentes, como enchentes, secas e ondas extremas de calor e frio (embora um relatório do comitê da ONU não confirme isso).

A questão é: esse aquecimento é “feito pelo homem”, principalmente devido ao aumento do uso de combustíveis fósseis como parte da revolução industrial que ocorreu nos últimos 150 anos e, no nosso caso, a expansão da indústria pecuária mundial e as emissões adicionais de gases de efeito estufa para a atmosfera; ou esse o fenômeno de aquecimento faz parte da atividade cíclica natural da Terra, onde o homem aparentemente tem pouca influência sobre ela. Fica a dúvida.  

Vale destacar que muitos dos cientistas envolvidos no campo do clima têm a visão de que o aquecimento global está relacionado à atividade humana, posição que vem sendo adotada pela maioria dos líderes mundiais, bem como por organizações internacionais como as Nações Unidas. No entanto, outros cientistas, em Israel e ao redor do mundo, têm visões diferentes para explicar esse aquecimento e trazem suporte científico a isso em suas palestras e publicações.

Recentemente, fui exposto a uma série de palestras proferidas por cientistas israelenses, membros do “Fórum para a Racionalidade Ambiental”, e também cientistas de várias universidades do mundo que não aceitam a tese de que o aquecimento global se deve principalmente à atividade humana e apresentam outras teses para explicar essa tendência. Vendo um tempo acumulado de dezenas de horas dessas palestras e estudos, posso admitir a verdade, tendo a me convencer de posições que negam ser a humanidade o principal influenciador para o aquecimento global.

Neste artigo gostaria de expor aos leitores deste site as “outras opiniões” que, por vários motivos, não são levadas ao conhecimento da mídia (que acho que já “tomou partido”). Escrevo este artigo porque me vejo como parte da pecuária e seu sucesso é importante para mim, mas principalmente porque sinto que nossa indústria está sob ataque e é obrigada a tomar medidas que podem custar muito dinheiro e o aumento do custo de produção do leite pode ser “repassado” para os consumidores, reduzindo a competitividade do setor.

Bem, vamos ao assunto:

Dado que a terra está realmente aquecendo, então, as perguntas a serem feitas são:

  • Em que nível esse aquecimento atingirá no futuro previsível – um grau ou oito graus?
  • O aquecimento é uniforme para todo o globo, ou diferente entre as regiões?
  • E mais importante, o que causa o aumento? São as emissões de gases de efeito estufa provocadas pelo homem ou o aquecimento como resultado de mudanças cíclicas na natureza ao longo de milhões de anos de sua existência.

Na minha opinião, essas questões são de importância crítica para a existência humana no globo e dentro dela, entre outras coisas, também para nossa indústria pecuária. Vale notar que os cientistas que defendem a visão de que o aquecimento global nos últimos anos é causado pelo homem, ignoram o fato de que a concentração de CO2 na atmosfera hoje, e a prevista para o final do século, permanece muito menor do que em muitos períodos quando o clima da terra era estável e permitia vida normal nela.

Os cientistas que apoiam a tese da influência humana no aquecimento global não têm provas científicas de sua afirmação e sua opinião é baseada principalmente em modelos matemáticos complicados, que continuam falhando, uma e outra vez, para prever a temperatura futura do globo (uma razão para mudanças feitas nas previsões da ONU nos últimos anos), bem como negando todas as outras possibilidades.

Temos que perceber que o clima global é um sistema “caótico” com inúmeras variáveis, tornando-o imprevisível.

Nos cenários mais pessimistas apresentados por esses cientistas, a temperatura da terra subirá cerca de 6 graus celsius até o final do século, além do que era antes do início da Revolução Industrial. Tais temperaturas podem levar a sérias ameaças à humanidade, ao ponto da incapacidade do homem de viver sua vida como gostaria. Nesse cenário, a humanidade terá que continuar o que está planejado hoje e investir qualquer quantia de dinheiro necessária para desenvolver fontes alternativas de energia que não dependam da queima de combustíveis fósseis (especialmente energia solar e eólica).

Como essas fontes de energia são instáveis, muitos recursos também devem ser investidos em pesquisas sobre como armazenar essa energia. Deve-se entender que esses são investimentos enormes, dinheiro que os países devem tirar de outras missões importantes. No que diz respeito à pecuária leiteira (e pecuária em geral), existe a possibilidade de que nos peçam para reduzir e talvez parar completamente, no longo prazo, o negócio da pecuária e, no curto prazo, investir grandes somas de dinheiro no desenvolvimento de medidas genéticas e nutricionais que permitam que o gado produza com menos emissão de metano.

No entanto, se os cientistas estão certos em ver o aquecimento global como um processo cíclico natural, no qual o homem tem muito pouco impacto, então estamos “olhando na direção errada” e o dinheiro precioso que o mundo pretende investir no desenvolvimento de fontes alternativas de energia pode ser investido em bem-estar, saúde e educação.

Segundo alguns cientistas que apoiam essa visão, o aquecimento global faz parte de um ciclo que resulta da atividade do sol e de suas interações com os oceanos, que compõem a maior parte da superfície da Terra, levando a emissões e absorção intermitentes de CO2 entre eles e a atmosfera.

Ao longo de milhões de anos, o mundo aqueceu e esfriou, presumivelmente como resultado dessa interação. Vale ressaltar que o principal gás de efeito estufa na atmosfera é a água, sendo que os demais gases de efeito estufa e, principalmente o CO2, constituem menos de 5% dela. Com base em análises climáticas e geológicas coletadas, usando tecnologias avançadas de pesquisa, estima-se que a temperatura média da Terra aumentará até 2100 em não mais de um ou um grau e meio centígrado, mesmo se continuarmos trabalhando como de costume, e mesmo que a concentração de CO2 na atmosfera seja o dobro de antes da Revolução Industrial.

O globo aquece e esfria há milhões de anos, principalmente nos polos e regiões próximas. No período real de aquecimento, espera-se que a maior parte do aquecimento no globo ocorra nas regiões polares e nas áreas próximas a elas em ambos os hemisférios (no hemisfério norte, é o norte da Europa, América do Norte e Sibéria), e muito menos, isso se ocorrer, nos trópicos.

Parece que um aumento de um grau e até dois ou três na temperatura média nas áreas mais influenciadas não afetará em nada o estilo de vida dos moradores (e se sim, então apenas para melhor, porque são áreas relativamente frias). A abrangência das áreas para produção agrícola, neste caso, pode aumentar e contribuir para o aumento da produção de alimentos para a crescente população mundial.

E agora, e se estiverem certos aqueles cientistas que não vinculam o aquecimento global ao homem e que não há “ameaça existencial” para a humanidade após o aquecimento descrito acima?

Examinaremos isso primeiro para o mundo inteiro e depois, é claro, para a indústria do gado:

Para o mundo inteiro, aqueles enormes orçamentos que atualmente são direcionados para o desenvolvimento e produção de energias alternativas, poderiam ser direcionados para outros objetivos importantes para a humanidade.

Se continuarmos a operar como de costume, aquecendo nos níveis aqui indicados, a humanidade poderá direcionar os orçamentos atualmente destinados ao desenvolvimento de energias alternativas, para desenvolver e implementar medidas de alívio de calor e criar medidas, incluindo subsídios e assistência às classes mais fracas para implantação de condicionadores de ar e outros meios de proteção, bem como a instalação de meios de aquecimento e cozimento utilizando eletricidade e gás, como substitutos da madeira, carvão e esterco, para aquelas bilhões de pessoas nos países em desenvolvimento, já que o uso de madeira, carvão vegetal e esterco, prejudica seriamente sua saúde.

Quanto à pecuária, trata-se, antes de tudo, de eliminar a ameaça existencial a este importante setor. Ao mesmo tempo, e à semelhança das soluções oferecidas a toda a humanidade, os países poderão alocar orçamentos para melhorar as condições de alojamento do gado (a maioria das vacas no mundo atualmente não tem sombra suficiente e acesso livre à água), subsidiando a instalação e operação de sistemas de refrigeração, bem como a investigação de meios de manejo e alimentação, que permitirão aos touros e vacas melhor lidar com o aumento da temperatura ambiente.

Esses investimentos têm o potencial de aumentar a eficiência da produção de carne e leite, reduzir seu preço ao consumidor e, com isso, permitir que comunidades mais fracas consumam mais desses produtos saudáveis.

Em uma das palestras que eu estava ouvindo, ouvi um dos palestrantes dizer palavras que ficaram gravadas na minha memória. Ele disse que, infelizmente, esta questão crítica para a humanidade, que deveria ser tratada de forma puramente científica, tornou-se recentemente uma ferramenta de forças políticas, econômicas e midiáticas que a usam para promover seus interesses mesquinhos.

Devemos encontrar uma maneira de trazer a questão de volta aos cientistas e permitir uma discussão aberta e livre, porque é a questão mais importante para o nosso futuro e para o futuro das nossas gerações futuras.

ISRAEL FLAMENBAUM

Especialista no estudo do estresse térmico em vacas leiteiras, professor na Hebrew University of Jerusalém, tem ministrado cursos e treinamentos sobre o assunto em diversos países.

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